quarta-feira, 23 de junho de 2010

I MADAME

Meu querido amor tenho a imagem viva de você em minha frente, tomo você em meus braços, beijo você da cabeça aos pés. Ajoelho-me diante de você e suspiro “Madame eu a amo”. E eu de fato amo você mais do que o Mouro de Veneza jamais amou. O mundo falso e corrupto acha que o caráter de todos os homens é falso e corrupto.
Qual dos meus inimigos e caluniadores e língua de cobra jamais me acusou de ter vocação para desempenhar o papel principal de amante num teatro de segunda classe? Com tudo é verdade. Se os infelizes tivessem humor suficiente, eles poderiam ter pintado “As relações de produção e troca”, de um lado e eu aos teus pés do outro. “Olhe para este quadro e para aquele”, eles poderiam ter escrito em baixo. Mas eles são infelizes estúpidos e estúpidos eles continuarão em saeculo saeculorum.
Mas o amor – não de homem feuerbachiano, nem de metabolismo de Moleschotte, nem do proletariado, mas o amor de uma querida, isto é você, torna um homem novamente homem.
De fato há milhares, milhões de mulheres no mundo, e algumas delas são belas. Mas onde encontrarei outro rosto no qual cada traço, até cada ruga me faz relembrar as maiores e mais doces memórias de minha vida. Até minhas tristezas infinitas, minhas perdas insubstituíveis eu posso ler em sua doce face, é por fim eu dou o beijo de despedida em todas as minhas tristezas quando beijo sua doce face. “Enterrado em seus braços despertado por seus beijos”, isto é em seus braços e por seus beijos e os brâmanes e pitagóricos podem ficar com suas doutrinas de reencarnação e o cristianismo com sua doutrina da ressurreição.