quarta-feira, 23 de junho de 2010

GRANDE PAIXÃO

Meu bem amado coração,
Escrevo-lhe porque estou só e isso sempre me perturba e me faz dialogar com você em minha cabeça, sem que saiba, o escutar o que me possa responder.
Por pior que seja sua foto, me presta este serviço e agora compreendo como as mais horríveis esfinges da mãe de Deus, as virgens negras, podem encontrar admiradores infatigáveis. Nenhuma dessas imagens nunca foi mais beijada, olhada e adorada que sua fotografia, que não reflete em absoluto o seu querido, terno e adorável rosto.
Mas meus olhos, tão massacrados que estão pela luz, podem ainda pintar não somente em sonhos, mas acordados.
Tenho você deslumbrante diante de mim. Eu te toco e te beijo da cabeça aos pés. Caio de joelhos diante de você e digo num gemido:
Madame eu a amo. Na verdade, te amo mais do o Mouro de Veneza jamais amou.
Meu amor por você, tão rápido quanto você se distância, me parece pelo que é: um gigante que absorve toda energia do meu espírito, toda substância de meu coração. Sinto-me de novo um homem por que, experimento uma grande paixão.
Amada minha! Amo te com a alma inteira!